Amigos da Montanha completam travessia de quatro dias nos Picos da Europa

 

 

Entre 4 e 7 de junho, a secção de montanhismo dos Amigos da Montanha regressou aos Picos da Europa para percorrer parte do percurso “El Anillo de Picos”, numa travessia de vários dias marcada pela navegação em nevoeiro, pela passagem por refúgios de montanha e por algumas das paisagens mais emblemáticas da cordilheira.

Durante quatro dias, os participantes percorreram uma parte deste conhecido percurso de montanha, numa experiência que privilegiou a progressão em autonomia, a orientação em terreno exigente e a capacidade de adaptação às condições meteorológicas. O itinerário totalizou cerca de 40 quilómetros, distribuídos por algumas das zonas mais marcantes dos Picos da Europa.

A aventura começou em Caín, após uma viagem de cerca de seis horas desde a sede dos Amigos da Montanha, em Barcelinhos. O grupo iniciou o percurso pela conhecida Rota do Cares, mas rapidamente abandonou o trilho principal para enfrentar o exigente Canal de Trea, uma subida de aproximadamente 1.200 metros de desnível positivo concentrados em pouco mais de quatro quilómetros.

Já em altitude, os montanheiros seguiram até ao refúgio Vega de Ario, a 1 630 metros, onde a meteorologia começou a cumprir as previsões. Nuvens baixas, nevoeiro e chuva passaram a acompanhar o percurso, obrigando a redobrar a atenção e a colocar em prática conhecimentos de orientação e navegação.

Perante as condições atmosféricas, a opção foi descer até aos Lagos de Covadonga e, a partir daí, prosseguir rumo ao refúgio Vega Redonda, a 1 460 metros de altitude. O percurso transformou-se num verdadeiro exercício de navegação em ambiente de montanha, realizado praticamente sem referências visuais. Ao final de 23 quilómetros de caminhada, os participantes alcançaram o refúgio, onde os aguardava o merecido descanso.

O dia seguinte revelou uma realidade completamente diferente. Sob um céu limpo e com excelente visibilidade, os montanheiros partiram cedo do refúgio Vega Redonda em direção ao refúgio Vega de Huerta, situado a 2 038 metros de altitude. Deste local é possível contemplar uma das melhores perspetivas sobre a face sul da Peña Santa, o ponto mais elevado do Maciço Ocidental dos Picos da Europa.

A travessia prosseguiu depois em descida até Caín, completando mais 17 quilómetros de percurso. A última noite foi passada no parque de campismo de Santa Marina de Valdeón, proporcionando também um momento de descanso e de contacto com as tradições e o quotidiano local.

Antes do regresso a casa, houve ainda tempo para uma última caminhada até ao Gilbo, junto a Riaño. Com um caráter mais descontraído, esta subida permitiu recuperar do esforço acumulado nos dias anteriores e desfrutar de mais uma das paisagens marcantes da região.