Viver Macieira sublinha importância do Parque Interpretativo para O Caminho de Santiago

Macieira de Rates vai ter um Parque Interpretativo do Caminho de S. Tiago. Trata-se dum projecto idealizado pela Associação Viver Macieira que foi apresentado ao Município de Barcelos e mereceu financiamento de fundos comunitários.

 

Sérgio Vilas Boas, presidente da Associação Viver Macieira e César Barros, um dos mentores do projecto, estiveram à conversa com a jornalista Sandra Veloso Fernandes sobre esta ideia que vêem concretizar no terreno.

 

 

 

 

Projecto do Parque Interpretativo do Caminho de Santigo em Macieira de Rates, foi aprovado no âmbito da candidatura elaborada pelo Município de Barcelos de “Qualificação das experiências de touring cultural no Minho – De Passagem / Barcelos” e que integra a Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE MINHO INOVAÇÃO, no âmbito do Programa Operacional Norte 2020.

Neste momento está a decorrer o procedimento de contratação pública para a realização dos trabalhos.

 

A Associação Viver Macieira reconhece que tal só foi possível pela determinação de todos em valorizar um projecto que dignifica Barcelos, em particular Macieira de Rates que é porta de entrada no concelho dos peregrinos do Caminho que vêm da Póvoa de Varzim. Lembram a importância dos proprietários de terreno que cederam para domínio público, tonando “este projecto de todos e para todos”.

César Barros partilha, ainda, uma segunda versão da ” Lenda da Mulher Morta “, que encontrou depois duma pesquisa.

 

 

Lenda da Mulher Morta

 

Certo dia no final da tarde aproximava-se do Mosteiro de São Pedro de Rates um carro puxado por uma junta de bois. Os dois lavradores, pai e filho, pretendiam, chegar ao nascer do dia à Feira de Barcelos, com os produtos que levavam no carro.

Ao passar junto de uma pequena estalagem, para dar de comer aos animais e beberem uma malga de vinho, encontraram peregrinos que aí pretendiam pernoitar antes de se lançarem ao caminho de Barcelos e de Santiago. Como a noite caía o estalajadeiro perguntou-lhes se ali dormiam e perante a resposta negativa, avisou-os para terem cuidado em aventurarem-se de noite pelos caminhos que passavam no Alto da Mulher Morta. Curiosos perguntaram o que de mau havia por aquelas paragens:

– É carneiro preto que por lá aparece fora de horas. Um dia morreu ou por lá mataram uma mulher e desde então é sítio excomungado.

Os dois lavradores não eram medrosos e avançaram caminho e noite dentro. Ao avistar o pinhal do desassossego puseram-se em frente aos bois que começavam a dar sinal de inquietação. Metros andados, estacaram e por mais tentativas, simplesmente não se mexiam. De repente, viram o carneiro preto no meio do caminho, com pelo sedoso, escuro, narinas fumegantes e olhar fixo nos intrusos.

– E agora? – exclamou o filho.

– Não ouviste o vendeiro? Acalma-te, eu trato deste estafermo.

O velho lavrador bradou em voz forte:

“Água benta de sete bicas

Água de sete fontes

Sangue de sete galinhas pretas

Terra de sete sepulturas

Padre Nosso. Avé Maria”

 

Mal o velho acabou as últimas palavras, um enorme estrondo ribombou na pacatez do pinhal. O carneiro desatou à desfilada monte dentro e no ar ficou um cheiro a enxofre.

– Desta livramo-nos nós! – disse o pai – Com a bênção de Deus.

E seguiram para a Feira em Barcelos.

Na volta construíram um Tosco Cruzeiro de pedra no local onde tudo tinha acontecido e desde essa altura nunca mais por ali apareceu o carneiro preto.