BE Barcelos classifica celebração do Novo Mercado como “Ato Oportunista” e “Insulto”

A inauguração das obras de requalificação do Mercado Municipal de Barcelos, agendada para esta segunda-feira — data que coincide com o 98.º aniversário de elevação a cidade —, está a ser alvo de duras críticas por parte do Bloco de Esquerda (BE). O partido recusa qualquer “celebração triunfalista”, classificando a “cerimónia pomposa” como um “ato oportunista” e um “insulto” aos barcelenses devido “à grave incompetência na gestão pública do projeto”. Os dados apresentados revelam “um severo desvio” face ao planeamento inicial aprovado em 2018. A obra, que começou em fevereiro de 2020 com um prazo de execução de 18 meses e um orçamento de 1,9 milhões de euros, acabou por demorar seis anos a ser concluída, com o custo total final a derrapar para os 3,7 milhões de euros. A este valor acresce um custo direto superior a 162 000 euros com o sucessivo alargamento do arrendamento das instalações do mercado provisório. Perante este cenário, o BE levanta “sérias” questões sobre quem pagará os custos “diretos e indiretos desta derrapagem” — que provocou perdas de faturação e destruição de valor no comércio tradicional —, “exigindo total escrutínio e responsabilização pelos gastos descontrolados.” O processo foi também marcado por “uma profunda falta de transparência e de diálogo”. Durante os seis anos de espera, “os pequenos vendedores suportaram duras intempéries climáticas no espaço provisório sem que a autarquia lhes prestasse esclarecimentos voluntários sobre os atrasos. Quando questionado na Assembleia Municipal, o executivo limitou-se a dar desculpas evasivas e clichês, como erros de projeto, imprevistos ou “falhas técnicas específicas”. Adicionalmente, “os comerciantes e produtores agrícolas nunca foram ouvidos ou envolvidos no planeamento do espaço, tendo sido convocados apenas nas vésperas da inauguração para tomar conhecimento do resultado final e dos respetivos lugares de venda”. Com a reabertura do edifício no centro da cidade, “surgem agora novos receios quanto à viabilidade do negócio. Embora o mercado temporário no campo da feira fosse inadequado, os clientes tinham facilidade em estacionar.” O regresso ao centro urbano, caracterizado pela escassez de estacionamento e pela forte presença de parquímetros, gera o medo de que a clientela acabe por fugir para as grandes superfícies comerciais das redondezas. O BE Barcelos sublinha que se congratula com a devolução desta infraestrutura marcante à cidade, mas reitera que “não esquecerá os disparates cometidos” e continuará a exigir uma fiscalização rigorosa sobre a gestão da empreitada.

 

Leia na integra o comunicado do BE

Famigerado Mercado Municipal – longe no tempo, distante no custo
O dia 31 de agosto de 2026 em Barcelos, coincide com o 98º aniversário de elevação a
cidade, tem o propósito de se tornar um dia festivo para o atual executivo camarário
pela inauguração das obras de “requalificação do mercado municipal”. Não, não pode
ser um motivo de celebração triunfalista, nem o apagar da memória dos erros
sucessivamente cometidos que transformaram a obra em “chacota” da política local
como um atestado de incompetência de gestão pública.
Para nos situarmos no contexto real dos factos, recordemos alguns dados do projeto
que foi aprovado em 2018. Data de início da obra – fevereiro de 2020; prazo de
execução – 18 meses (concluir até agosto de 2021); custo orçamentado – 1,9 milhões €
Prazo real de execução – 6 anos (conclusão agosto de 2026); custo total final – 3,7
milhões €; acresce o constante alargamento do arrendamento das instalações do
mercado provisório com um custo direto superior a 162 000 €
Quem paga estes custos diretos da derrapagem? E o custo indireto para a economia
local com perdas de faturação dos comerciantes e destruição de valor no comércio
tradicional? E quem tem de ser responsabilizado pelo aluguer do exíguo e inadequado
espaço provisório, mesmo que corrigido, e bem, com a deslocação parcial para o
campo da feira?
Acresce dizer que durante todo este tempo não foi dada qualquer explicação aos
pequenos vendedores, que suportaram as intempéries e agruras climáticas – ora com
frio e chuva, ora com calor e sol inclemente -, sobre as razões dos sucessivos atrasos
da obra. O atual executivo limitou-se a afirmações esporádicas, depois de questionado
e nunca por iniciativa própria, com desculpas inconsistentes em modo clichê, como –
erros de projeto que obrigaram a empreitadas corretivas; imprevistos técnicos que
implicaram mudanças de materiais ou de forma ainda mais evasiva – falhas técnicas
específicas. O que deveria ter sido uma intervenção planeada e célere transformou-se
numa duradoura novela de atrasos, com a recusa permanente de assunção de
responsabilidades e de resposta à notória incapacidade de fiscalizar, gerir e decidir
com eficácia.
Passada toda esta longa fila de espera, que levou a muitas desistências por falta de
expetativa na resolução da obra, comerciantes e pequenos agricultores que vendem os
seus produtos locais, estão agora com novos receios. Com toda a falta de condições
inerentes a uma venda a céu aberto em pleno campo da feira, a verdade é que têm
clientela assegurada porque é fácil estacionar e fazer as compras na proximidade. O

mercado municipal está no centro da cidade com os problemas inerentes à falta de
estacionamento, ainda para mais coberto de parquímetros, pode implicar o aumento
de fuga de potencial clientela para as grandes superfícies comerciais das redondezas.
Importa também referir que comerciantes e produtores agrícolas, nunca foram
convocados para darem sugestões ou manifestarem opinião, como modo de
envolvencia prática enquanto parceiros diretamente interessados na adequada
ocupação dos diferentes espaços. Aliás, diga-se em abono da verdade, que só há dias é
que foram chamados para tomarem conhecimento do resultado final das obras e dos
respetivos lugares de venda.
O atual executivo camarário nunca teve a preocupação de explicar aos barcelenses as
razões do prolongamento das obras, mesmo quando questionado pelo BE nas reuniões
de Assembleia Municipal foi sempre evasivo nas respostas, nem de informar a
população sobre a funcionalidade do espaço e a disposição dos diferentes setores de
atividade. O que deveria ser uma obra participada e democraticamente debatida para
uma melhor funcionalidade em benefício coletivo, é um enigma circunscrito ao
conhecimento dos entendidos!
Por todos estes factos é que o Bloco de Esquerda considera que fazer da inauguração
desta obra uma cerimónia de gala e pomposa é um insulto aos barcelenses, é uma
afronta para com uma população que tanto esperou, é um ato oportunista que visa
aplausos e aproveitamento político.
O BE Barcelos não confunde a importância desta obra com a incompetência de quem a
geriu. Congratulamo-nos por finalmente reabrir uma infraestrutura tão marcante na
cidade, mas não esquecemos os disparates cometidos, o tempo decorrido sem acesso,
o custo exorbitante e descontrolado – sobre os valores apontados exigiremos total
escrutínio sobre o derrapado nesta empreitada. Barcelos merece respeito, merece
planeamento e merece uma liderança que assuma responsabilidades.
Barcelos, 30 de agosto de 2026
A Comissão Coordenadora Concelhia do BE Barcelos