Aumento dos problemas de saúde mental reforça necessidade de cuidados paliativos nesta área
O I Congresso Ibérico de Cuidados Paliativos em Saúde Mental acontece a 22 e 23 de outubro e debate respostas inovadoras para aliviar o sofrimento e garantir a dignidade das pessoas com doença mental grave.
O agravamento dos problemas de saúde mental e a dimensão que assumem na sociedade portuguesa reforçam a necessidade de desenvolver respostas de acompanhamento capazes de responder às situações de maior vulnerabilidade. É neste contexto que o Instituto São João de Deus (ISJD) promove, nos dias 22 e 23 de outubro, no Fórum São Bento Menni, em Barcelos, o I Congresso Ibérico de Cuidados Paliativos em Saúde Mental, dedicado à reflexão sobre uma área emergente dos cuidados de saúde.
Em Portugal, cerca de 22,9% da população apresenta perturbações psiquiátricas, segundo dados divulgados pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. A dimensão do problema é também evidenciada pelos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE): 32% da população com 16 ou mais anos apresentava sintomas de ansiedade generalizada, sendo que 10,4% registava níveis graves. As perturbações mentais e do comportamento representam ainda 11,8% da carga global das doenças no país, ultrapassando as doenças oncológicas (10,4%).Estes indicadores sublinham a importância de reforçar as respostas em saúde mental e de alargar a reflexão sobre as necessidades das pessoas com doença mental grave, em particular quando enfrentam sofrimento persistente, situações clínicas complexas ou fases de maior fragilidade.
Nestes contextos, os cuidados paliativos podem assumir um papel relevante, complementando o acompanhamento existente através do alívio do sofrimento e de uma abordagem integrada que respeite a dignidade, a autonomia e a singularidade de cada pessoa.«A dimensão dos problemas de saúde mental na nossa sociedade exige respostas cada vez mais abrangentes e ajustadas às necessidades de cada pessoa. Os cuidados paliativos em saúde mental são uma área que importa desenvolver, sobretudo quando falamos de pessoas com doença mental grave que enfrentam situações de grande vulnerabilidade e sofrimento. É fundamental garantir um acompanhamento humanizado, que coloque a pessoa no centro dos cuidados e valorize a sua dignidade e autonomia», afirma Nuno Lopes, diretor-geral do Instituto São João de Deus.
Projeto MIDAS
A realização deste congresso enquadra-se no trabalho que o ISJD tem vindo a desenvolver nesta área, nomeadamente através do Projeto MIDAS – Morte Interna Digna, Acompanhada e Serena. O projeto pretende desenvolver um modelo de acompanhamento integrado nas várias Casas de Saúde do Instituto São João de Deus, de norte a sul do país e nas ilhas, mobilizando equipas multidisciplinares e promovendo a articulação entre profissionais de diferentes áreas.
O MIDAS procura, assim, contribuir para uma resposta mais estruturada às necessidades das pessoas com doença mental grave, integrando as dimensões clínica, psicológica, social, familiar e espiritual do acompanhamento. Esta abordagem reconhece que o sofrimento não se esgota na dimensão física ou clínica e que cuidar implica também escutar, acompanhar e respeitar as necessidades individuais de cada pessoa.
Ao longo de dois dias, o congresso reunirá especialistas e profissionais portugueses e espanhóis para debater questões como a identificação das necessidades paliativas em saúde mental, a tomada de decisões, a autonomia e a vulnerabilidade, o acompanhamento no fim de vida e o papel das famílias. O programa inclui igualmente temas como a dimensão espiritual do sofrimento, a bioética, o luto e o contributo das diferentes áreas profissionais para uma resposta multidisciplinar.
«Com o projeto MIDAS e a realização deste primeiro congresso ibérico, queremos contribuir para o desenvolvimento de respostas que reconheçam as necessidades específicas das pessoas com doença mental grave, sobretudo nos momentos de maior vulnerabilidade. Queremos promover um modelo de acompanhamento integrado, assente na articulação entre profissionais e na valorização de todas as dimensões da pessoa, para que ninguém fique sem o cuidado de que necessita», acrescenta Nuno Lopes.
O I Congresso Ibérico de Cuidados Paliativos em Saúde Mental pretende, assim, dar visibilidade a uma área ainda emergente e promover a partilha de conhecimento e experiências entre profissionais, contribuindo para o desenvolvimento de modelos de acompanhamento que aliem competência clínica, responsabilidade ética e humanização dos cuidados.


