Barcelos acolheu as Jornadas Distritais dos CLDS 5G dedicadas à arte e à intervenção social
O Auditório dos Paços do Concelho de Barcelos recebeu, nos dias 29 e 30 de outubro, as primeiras Jornadas Distritais dos Contratos Locais de Desenvolvimento Social de 5.ª Geração (CLDS 5G) de Braga, subordinadas ao tema “Arte e Intervenção: Olhares e Expressões”. A iniciativa reuniu especialistas, técnicos e representantes de instituições para debater o papel da arte e da cultura na intervenção social, na inclusão e no desenvolvimento das comunidades.
Na sessão de abertura, o vice-presidente da Câmara Municipal de Barcelos, José Paulo Matias, destacou a importância de políticas públicas próximas das pessoas e de uma intervenção social que não se limite a responder às necessidades, mas que também crie oportunidades de participação e contribua para combater os preconceitos.
Na sua intervenção, o autarca salientou ainda o papel da arte na promoção da inclusão social e na valorização de cada pessoa, reconhecendo o trabalho desenvolvido pelas equipas técnicas dos CLDS 5G e a importância da cooperação entre municípios e instituições para encontrar respostas aos desafios sociais.
A abertura contou também com as intervenções de João Agostinho Peixoto, presidente da direção da Esposende Solidário, Raquel Soares, representante do Programa Pessoas 2030, e Carla Vasconcelos, diretora da Segurança Social de Braga.
A necessidade de encontrar novas respostas para os desafios sociais esteve em destaque na intervenção de João Agostinho Peixoto, que defendeu uma atuação centrada nas capacidades e na dignidade de cada pessoa, reconhecendo o contributo da arte e da cultura no trabalho desenvolvido junto das comunidades.
O papel das equipas técnicas dos CLDS 5G e a importância da articulação entre as entidades envolvidas foram destacados por Raquel Soares. Já a diretora da Segurança Social de Braga, Carla Vasconcelos, chamou a atenção para desafios como a pobreza, a exclusão social, as desigualdades no acesso à educação e à qualificação, o envelhecimento da população e o isolamento social, defendendo uma intervenção articulada entre a Segurança Social, os municípios e as instituições locais.
Arte, criação e cuidado em debate
O primeiro dia das Jornadas ficou marcado pelo painel “Entre a criação e o cuidado: A arte como prática”, que contou com João Viana, coordenador do Gabinete de Terapia Ocupacional do Serviço de Psiquiatria da ULS de São João; Ana Caridade, criadora e coordenadora do projeto MOSAICO e presidente da Musa, Associação Artística e de Intervenção Social; e Daniela Martins, arte-terapeuta e arte-psicoterapeuta. A moderação esteve a cargo de José Eduardo Silva, professor e investigador do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho.
O programa incluiu ainda a apresentação da peça de teatro “A Branca de Neve e as Sete Emoções”, pela Associação de Pais e Amigos Centrada na Inclusão (APACI), e a exibição de um documentário do Projeto Cordão, relativo à edição de 2025.
Durante a tarde, o painel “Escutar o invisível: quando o som acolhe” reuniu Catarina Portela, médica oncologista, Sara Borges, do Projeto Cordão, e Carolina Portela, musicoterapeuta, numa conversa sobre o papel do som, da música e da escuta na intervenção social. A moderação esteve a cargo de António Direito, chefe da Divisão de Coesão Social e Solidariedade do Município de Braga.
Teatro, interculturalidade e prevenção da violência no namoro marcaram o segundo dia
A abertura do segundo dia voltou a contar com a intervenção do vice-presidente da Câmara Municipal de Barcelos, José Paulo Matias, que destacou o contributo do teatro e de outras expressões artísticas para uma sociedade mais participativa e inclusiva.
A prevenção da violência no namoro foi outro dos temas abordados pelo autarca, que defendeu a importância da educação, do diálogo e da identificação de comportamentos abusivos para combater este problema. Na sequência desta intervenção, foi apresentado o vídeo “Quem Ama Cuida”, do Município de Barcelos, que procura sensibilizar para a importância de relações assentes no respeito.
Os trabalhos prosseguiram com o painel “Muito além da cena: Práticas teatrais e intervenção social”, que reuniu Tiago Porteiro, professor da Universidade do Minho e investigador do Centro de Estudos Humanísticos; Manuela Ferreira, artista independente e presidente da Associação Paisagem Periférica; Ricardo Correia, professor da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra; e Inês Lapa, vice-presidente e codiretora artística da associação PELE. A moderação esteve a cargo de Manuel Sarmento, da Universidade do Minho.
A programação incluiu também a apresentação de um documentário da Associação Paisagem Periférica e de “Monte Mar, Monte Mar”, uma criação artística desenvolvida no âmbito do Projeto AGIR(E) CLDS 4G, da Esposende Solidário.
A diversidade cultural e o papel da arte na aproximação entre comunidades estiveram em destaque no painel “Criar (Inter)Culturalidades: o poder da arte”, que contou com Rosa Cabecinhas, professora do Instituto de Ciências Sociais e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho; Sheila Khan, investigadora da Universidade Lusófona; Fátima Barbosa, do projeto CLDS 5G Braga + Próxima; e Carla Calado, da Fundação Aga Khan. A sessão foi moderada por João Silva, da Associação Intercultural para Todos.
Ainda durante a tarde, Helena Mendes Pereira, diretora-geral e curadora do MUSEU da DST, apresentou a intervenção “A curadoria como ato de escuta: reflexões a partir da coleção de José Teixeira e do dstrgroup”.
A sessão de encerramento contou com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal de Barcelos e vereador da ação social, José Paulo Matias, de Fátima Escrivães, vereadora da Coesão e Desenvolvimento Social do Município de Esposende, e de Hortense Lopes dos Santos, vereadora dos pelouros da Educação, Coesão Social, Saúde, Igualdade e Inclusão do Município de Braga.
As primeiras Jornadas Distritais dos CLDS 5G de Braga terminaram após dois dias de debate e partilha de experiências sobre a utilização da arte e da cultura na intervenção social, dando a conhecer diferentes práticas e projetos desenvolvidos junto das comunidades.
