Prémios Gil Vicente distinguem projetos de Itália, Galiza e Catalunha

Na segunda edição dos Prémios Gil Vicente, Barcelos provou que o teatro amador não conhece fronteiras, premiando o talento que chega de Nápoles, da Galiza e da Catalunha.
A gala, organizada pelo Teatro de Balugas com o apoio do município, transformou-se num mosaico de línguas e memórias. O grande destaque da noite foi para “Orizzonte”, de Paolo Blasio (Itália), que conquistou o prémio de Melhor Texto Original. A obra viaja até à grande emigração italiana, narrando a odisseia de três irmãos em busca do sonho americano — um tema que, como se viu no palco, continua a ser uma ferida aberta e universal.
A vizinha Galiza também brilhou através do Opaí Teatro, distinguido como o Melhor Projeto Artístico. A companhia de Ferrol emocionou ao mostrar como o teatro pode ser uma ferramenta de resistência e memória coletiva, especialmente com o seu trabalho sobre a repressão de 1972. Já o prémio Causas Teatrais voou para a Catalunha, reconhecendo as duas décadas de intercâmbio cultural da Mostra Internacional de Teatre Amateur.
O encerramento não podia ter sido mais emblemático: uma versão internacional de “Hamlet”, trazida pelos lituanos do Teatras Arlekinas, selando uma noite onde o amadorismo foi sinónimo de rigor e paixão.Para Cândido Sobreiro, diretor do Teatro de Balugas, o balanço é claro: Barcelos já não é apenas uma paragem no circuito; é a referência onde se celebra a “originalidade e o compromisso” das companhias que fazem arte pela urgência de comunicar. A terceira edição já está prometida para 2025. O pano caiu, mas o eco deste encontro europeu vai continuar a ouvir-se nas ruas de Barcelos.