Câmara aprova atualização do projeto da nova ETAR de Barcelos

 

 

A Câmara Municipal de Barcelos aprovou o projeto de execução atualizado da nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Barcelos, num investimento superior a 37,5 milhões de euros.

Com um prazo de execução previsto de 730 dias e mais 180 dias para o processo de arranque, a nova ETAR representa o maior investimento de sempre na despoluição do rio Cávado, sendo também um dos maiores do Norte do país numa só infraestrutura de saneamento.

segundo comunicado da autarquia, a nova ETAR de Barcelos visa substituir a atual estação de tratamento, em funcionamento desde 1999 e tecnicamente obsoleta, com uma capacidade de resposta limitada face à evolução demográfica, urbana e industrial do concelho. As limitações técnicas que o atual equipamento apresenta traduzem-se num tratamento inadequado das águas residuais e, consequentemente, na poluição dos corpos hídricos locais, comprometendo a biodiversidade e a saúde pública.

Por esta razão, o investimento na construção de uma nova ETAR está identificado no Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais e Pluviais (PENSAARP 2030) como uma prioridade de primeira linha para resolver passivos ambientais graves.

A nova ETAR terá capacidade para tratar não só as águas residuais das habitações, mas também a poluição gerada pelas indústrias têxteis do concelho. Por isso, a sua capacidade é medida em 147 777 “habitantes equivalentes”, uma unidade técnica que soma a poluição humana e industrial. Na prática, estima-se que, em 2029, mais de 73 mil pessoas estejam efetivamente ligadas à rede e a beneficiar do serviço.

Tecnologia a favor do ambiente
Um dos grandes desafios técnicos do projeto reside no facto de cerca de 35% do afluente ser de origem industrial, maioritariamente do setor têxtil (tinturarias). Estes efluentes apresentam corantes e compostos orgânicos de difícil degradação, exigindo tecnologias avançadas.

A tecnologia escolhida utiliza microrganismos benéficos para eliminar a poluição presente nas águas residuais, num processo prolongado que garante um tratamento mais eficiente. Este sistema consegue remover compostos nocivos, como o azoto, sem necessidade de equipamentos adicionais. Depois desta fase biológica, a água passa por um tratamento complementar — que inclui filtros muito finos e a aplicação de ozono — para eliminar a cor e os poluentes mais resistentes, típicos dos efluentes provenientes da indústria têxtil. Garante, assim, o cumprimento dos parâmetros legais de qualidade da água do rio Cávado.

Além disso, a nova ETAR foi projetada para consumir menos eletricidade, com arejadores eficientes e motores que só trabalham quando for necessário. Para ganhar autonomia, vai produzir a sua própria energia através de painéis solares e de uma pequena central hidroelétrica na saída da água tratada.

Economia circular
O projeto assenta numa lógica de aproveitamento de recursos. A água tratada será reutilizada dentro da estação, as areias retiradas dos resíduos serão reaproveitadas e os materiais de demolição terão nova vida. A água limpa será devolvida ao rio Cávado, numa área integrada no Parque Natural do Litoral Norte, um ecossistema sensível que alberga espécies protegidas como a lontra. Ao reduzir significativamente a carga poluente descarregada no rio, a nova ETAR contribuirá para a melhoria da qualidade da água e, indiretamente, para a preservação dos habitats e da biodiversidade da região.

A abertura do concurso público para a construção da nova ETAR de Barcelos depende, agora, da emissão da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da obtenção do parecer final da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN). As duas entidades já emitiram pronúncias favoráveis na fase de análise prévia do Estudo de Impacte Ambiental, pelo que se espera que a DIA seja formalizada dentro dos prazos legais.

A autarquia estima, por isso, que o concurso seja lançado ainda em 2026 e que a nova ETAR de Barcelos esteja concluída no final de 2028. A obra será faseada de forma a permitir o funcionamento contínuo da atual ETAR durante o período de construção da nova instalação, evitando qualquer interrupção no serviço de saneamento prestado à população.