No Dia Mundial do AVC, associação fala na importância de pedir socorro aos primeiros sintomas

 

A 29 de Outubro assinala-se o Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral e este ano reforça-se o alerta, tendo em conta que o AVC é a principal causa de morte em Portugal.

 

Uma realidade já por si preocupante que se agrava no contexto actual de pandemia com varias consultas e tratamentos de reabilitação adiados.

Neste trabalho vamos ainda escutar o testemunho na primeira pessoa de uma mulher com 40 anos que viu a sua vida mudar há cinco anos atrás quando sofreu um AVC. Hoje ainda em recuperação vive um dia de cada vez.

 

Mas para já deixamos o alerta da Associação Nacional AVC, com sede em Barcelos, alerta para a importância de pedir socorro aos primeiros sintomas, com a certeza que a pandemia veio agravar a situação dos doentes com AVC, diz Débora Peres Filipe, directora clinica da Associação Nacional AVC

 

 

 

 

 

 

O Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que se assinala a 29 de Outubro, tem como principal objetivo alertar a população para os sintomas do AVC e procedimentos a tomar. O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) aconselha a utilização do Número Europeu de Emergência – 112 nos casos em que os sinais e sintomas do AVC estejam presentes.

Falta de força num braço, boca ao lado ou dificuldade em falar são sinais e sintomas que podem indicar a ocorrência de um AVC. Se estes sinais forem reconhecidos, ligar o Número Europeu de Emergência – 112 é a atuação mais adequada, pois a rápida intervenção médica especializada é vital para o sucesso do tratamento e posterior recuperação do doente.

Em 2019, o INEM registou, até ao dia 27 de outubro, 3.456 casos de AVC encaminhados para a Via Verde do AVC, uma média de 11 casos por dia.

 

 

 

O AVC continua a ser a principal causa morte em Portugal. Para além da elevada taxa de mortalidade, dados revelados pela Direção Geral de Saúde mostram que é também a principal causa de morbilidade em Portugal e de potenciais anos de vida perdidos, devido à incapacidade que provoca. Dependendo da área do cérebro afetada e da extensão da lesão cerebral, estima-se que metade dos sobreviventes de AVC poderão ficar com sequelas a nível físico, emocional, cognitivo ou social — o que consequentemente levam a um grau de dependência de moderada a grave.

 

Ismaylia Peyroteo tem 40 anos e sofreu um acidente vascular cerebral isquémico há cinco anos, tinha 35 anos de vida, era estudante universitária, nada apontava para tal acontecimento que julgava só acontecer aos mais velhos. Hoje vive um dia de cada vez, com 71% de incapacidade motora, e partilha o seu testemunho com a Rádio Barcelos:

 

 

Ismaylia Peyroteo e o seu testemunho cinco anos depois de sofrer um AVC. Hoje com 40 anos, ainda não regressou à sua vida de estudante. A viver em Vila Verde tomou conhecimento da Associação Nacional AVC e na primeira pessoa mostra que o AVC pode acontecer a qualquer um, desmistificando que é assunto para as pessoas mais velhas. Recomenda um estilo de vida saudável e continua os tratamentos de recuperação motora, agora mais limitados por causa da pandemia, mas admite que a maior parte dos exercícios continua a fazer em casa.

 

 

 

De facto o contexto de pandemia é uma preocupação eminente. A Associação Nacional AVC “ciente do forte impacto que a Pandemia por COVID-19 provocou na saúde, na economia e a nível social, não só em Portugal como em todo Mundo, e de que todas as atenções estão com grande enfoque no combate ao novo Coronavírus, sublinha e reforça que é importante não descurar todas as outras patologias já existentes e que continuam a afetar a população”.

Neste dia em que se comemora o Dia Mundial do AVC, a Associação Nacional AVC, manifesta uma forte preocupação sobre o estado atual do acesso a direitos fundamentais destas pessoas e volta a lembrar que perante um caso suspeito de AVC (falta de força, dificuldade na fala e assimetria da face) ligue o 112, pois o socorro nas primeiras horas dos sintomas é fundamental para o tratamento e recuperação.