Tribunal do Porto decreta especial complexidade da operação “Teia”. Decreto permite alargar a fase de inquérito até um ano
O Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto decretou a especial complexidade do processo relativo à “Operação Teia”, permitindo assim alargar a fase de inquérito até um ano.
A informação foi confirmada esta quarta-feira por fonte judiciária à Agência Lusa. O despacho do juiz de instrução do processo terá sido comunicado na semana passada à defesa dos quatro arguidos envolvidos: o ex-presidente da Câmara de Santo Tirso, Joaquim Couto, a empresária Manuela Couto, o ex-presidente do IPO Porto Laranja Pontes e o presidente da Câmara de Barcelos, Miguel Costa Gomes.
Fonte judiciária contactada pela Lusa explica que o “Código do Processo Penal prevê em certos processos e para determinados efeitos processuais que possa ser decretada a excecional complexidade do procedimento”. A 3 de Junho, Manuela Couto e Miguel Costa Gomes ficaram com a medida de coação de permanência obrigatória na residência, com pulseira electrónica, enquanto Joaquim Couto pagou uma caução de 40 mil euros para sair em liberdade e Laranja Pontes 20 mil euros para o mesmo efeito.
Contactado pela Lusa, Nuno Brandão, advogado da empresária e do marido desta, Joaquim Couto, confirmou que irá recorrer do despacho, enquanto Pedro Ávila, advogado de Laranja Pontes, que ficou com termo de identidade e residência, informou “estar ainda a analisá-lo”.
A Lusa tentou obter também a reacção de Nuno Cerejeira Namora, advogado do autarca de Barcelos, mas até ao momento não foi possível.
A “Operação Teia” centra-se nas autarquias de Santo Tirso e Barcelos bem como no ex responsável do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e investiga suspeitas de corrupção, tráfico de influência e participação económica em negócio, traduzidas na “viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto”, segundo comunicado da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, o órgão de polícia criminal que apoia o Ministério Público neste caso.